Soneto

Soneto

Por que me descobriste no abandono
Com que tortura
me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava
bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance
antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem,
morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar,
com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu
porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem,
morta de frio

Chico Buarque

15 de maio de 2010. Sem categoria.

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